MEDIDA DE FLUXO DO PISTÃO GIRATÓRIO

texto realizado para a exposição MEDIDA DE FLUXO DO PISTÃO GIRATÓRIO | SESC - Serviço Social do Comércio | Ribeirão Preto | São Paulo | Brasil | 2011
Artistas: Bonilha & Ohira // Cleido Vasconcelos // Fernando Velázquez // Motta Lima // Paula Zacaro // Wagner Morales
Art.éria é uma rede em fluxo contínuo. Ora as informações geradas voltam modificadas ao emissor, ora apenas são adicionadas de novas perspectivas e escoadas sem retornar ao seu ponto de origem. A proposta inicial colocada para a curadoria era a de conceber uma exposição dentro do projeto Art.éria. A base de estímulo do projeto era a de refletir proposições colaborativas - situações onde os atos em grupo estivessem evidenciados e em rede, onde um conjunto de artistas pensasse em trabalhos de uma forma não hierarquizada [talvez os processos de autoria também estivessem em jogo], somando-se a isso as inter-relações entre os participantes. A curadoria, a partir dessa referência inicial, pensou em um outro recorte, diferente do contexto inicialmente exposto. É importante frisar que as oficinas, mesas-redondas, painéis espalhados pelos ambientes de convívio da instituição, todas essas plataformas trarão como discussão os “atos colaborativos em rede”; rede entendida de diversas formas, níveis e suportes: internet, celular, informações escoadas por meios midiáticos e outras situações em que essas intersecções são usadas para a produção de trabalhos.
Todo o projeto tem como inicial o ato colaborativo, incluindo essa exposição, mas o que interessa aqui é um tipo de posicionamento diferente da relação inicial que a “colaboração” provém como leitura. As obras nascem de processos onde os atos são decididos apenas por uma das partes. Nesse caso, a colaboração é hierarquizada. Pode parecer contraditório se visto pelo prisma do que se entende por colaboração, mas aqui interessa um segundo ponto de vista para rever a validade dos atos. Não se trata de uma verdade absoluta e tampouco o único caminho interpretativo ou “correto” para a colaboração. Medida de fluxo do pistão giratório reflete uma coletividade onde apenas o artista decide o que realizar, o “outro” existe como base para a coleta e desenvolvimento do projeto, uma linha onde o fluxo passa.